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Senhas, documentos e desejos: o que pode ser resolvido antes de morrer…

  • Foto do escritor: ricarddo de barros
    ricarddo de barros
  • 17 de jun.
  • 4 min de leitura
MORRER É UM REINICIO OU UM FINALMENTE ...
MORRER É UM REINICIO OU UM FINALMENTE ...

Carreira, casamento, filhos? Grande parte das experiências humanas exige planejamento. Com o fim da vida pode não ser tão diferente assim. Muita gente evita falar sobre a morte pelo incômodo, por despertar sofrimento ou gatilhos emocionais. Porém, expressar escolhas de saúde, preferências de funeral e de rituais religiosos, além de facilitar o acesso a senhas e documentações, pode tornar o momento da perda menos traumático para quem fica.

 

Dificuldades para resolver inventários, lidar com uma série de documentos e falta de acesso ao celular e às redes sociais de entes queridos foram apenas alguns dos breves relatos de pessoas ouvidas pela reportagem. "Minha avó morreu e o perfil de… quem era viva

Essa é uma das premissas do projeto "Pra quando eu morrer", liderado pelo empreendedor social e ativista Tom Almeida, fundador do Movimento inFINITO, que incentiva conversas abertas sobre o tema. Almeida, que trabalha na área há quase oito anos, defende que abordar a finitude não significa antecipar a hora de partir, mas cuidar da vida e da família.

 

"Quando meu pai chegou na fase final de vida e pude fazer o que ele me pediu, me senti muito bem. Apesar da tristeza, a conversa oferece uma forma de cuidar, além de ferramentas de enfrentamento do luto, pelo sentimento de ter respeitado e honrado o que foi pedido", conta Almeida.

 

Ao perceber que boa parte do que poderia ser organizada… -

Antes de mais nada, é importante esclarecer que você não precisa ostentar um grande patrimônio, ter idade avançada ou problemas de saúde para organizar informações básicas sobre o fim da vida.

 

A ideia inicial é deixar bem claras as escolhas consideradas mais importantes. E, para isso, a lucidez e saúde mental em dia são fundamentais. Por isso, adultos de todas as idades já podem começar a refletir sobre pontos como:

 

Como você quer ser cuidado diante de um adoecimento grave?

Aceita procedimentos médicos mais invasivos? Qual o limite dos tratamentos?

Quem deve decidir por você diante de uma incapacidade de se comunicar?

Quais são as principais orientações sobre despedida, cerimônia

 

Últimos cuidados

Deixar expressas as preferências sobre UTI (Unidade de Terapia Intensiva), reanimação, ventilação mecânica, alimentação artificial, sedação paliativa, controle de dor, tratamentos invasivos, local de cuidado e limites terapêuticos. O documento, chamado de Diretivas Antecipadas de Vontade ou testamento vital, pode ser registrado em cartório.

 

Documentação

Um primeiro passo é reunir informações básicas que são úteis não apenas em caso de morte, mas também de internação ou incapacidade. Vale facilitar o acesso a documentos como RG, CPF, certidões de nascimento ou casamento, documentos de carro, cartão do SUS, carteira do plano de saúde e dados previdenciários.

 

Dados bancários

Após a morte, pode ser preciso providenciar o bloqueio de contas, lidar com inventário, pagamento de contas e levantamento de valores. Uma ressalva: não é indicado deixar senhas bancárias expostas. Porém, é importante o compartilhamento com algum familiar de confiança sobre vínculos com instituições, possíveis dívidas e investimentos, além de informações sobre seguro de vida.

 

Cerimonial

Determinações sobre funeral, cremação ou sepultamento, presença ou ausência de ritos religiosos, modelo de cerimônia, entre outros detalhes práticos precisam ser tomadas rapidamente. Com a pressão do momento e a possibilidade de divergências entre os parentes, ter em mente o que a própria morte mostra

 

As redes sociais se tornaram uma extensão da vida material, trazendo questões inimagináveis 30 anos atrás. Além dos perfis nas mais diversas plataformas, fotos, documentos, emails e arquivos em nuvem podem ficar inacessíveis para a família. Escolher um amigo para cuidar desse âmbito pode ser uma maneira mais confortável de partir sem o medo de seus familiares abrirem aquela pasta no seu celular.

 

Testamento

Típico de novela com disputas familiares, o documento pode ajudar a organizar a destinação de bens, especialmente quando há patrimônio, filhos, companheiros, união estável, dependentes ou conflitos. O testamento público é feito em cartório com orientação de um tabelião.

 

A especialista afirma que vários pacientes em luto afirmam que fariam cerimônias, ritos e demais providências práticas de acordo com a vontade do ente querido, desde que soubessem.

 

A perda do pai foi um dos momentos mais desafiadores da vida da técnica em agropecuária Ludmilla Melo, moradora de Uberlândia (MG).

 

"Ele morreu em Belém, no Pará, em 2017. O hospital queria alguém para reconhecer o corpo e, para isso, enfrentamos muita burocracia. Eu e minhas irmãs soubemos do falecimento por volta da hora do almoço. No fim do dia, estávamos as três fazendo uma procuração para autorizar uma mulher que o conhecia para o reconhecimento

As dificuldades seguiram com o traslado do corpo para o estado de Goiás, onde o idoso seria enterrado no jazigo da família. "Devido a problemas com a empresa em que ele trabalhava e com o plano funerário, demoraram três dias para colocá-lo em um avião", afirma Melo.

 

A técnica em agropecuária conta que, devido ao longo prazo, a funerária se recusou a abrir o caixão. "Precisei entrar em uma discussão para que abrissem e para que minha avó pudesse se despedir do filho. Era um direito, o plano funerário estava acertado, mas colocaram empecilho. No fim, deu tudo certo", disse.


 

Educação para a morte

Falar sobre a própria partida ainda costuma ser recebido como morbidez, pessimismo

 

"A ideia é a possibilidade de a pessoa ter reflexões sobre o tema desde a infância, entender que a morte faz parte da vida e saber como lidar com essas questões. A criança vai aprender, por exemplo, que não há volta da morte, a chamada irreversibilidade, e que todos vamos morrer um dia, a universalidade", afirma Kovács.

 

Como efeito colateral positivo, se abrir com espontaneidade sobre sentimentos tão duros como a finitude pode dar espaço à valorização do afeto, autonomia, memória e cuidado.

 

"Organizar tudo antes de partir é 100% um ato de amor. É a última forma de dizer 'eu te amo'", conclui Almeida…


FONTE UOL.

 

 

 
 
 

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